Toda a gente fala da austeridade por estes dias. Austeridade é, entre outras coisas, o “cuidado escrupuloso em não se deixar dominar pelo que agrada aos sentidos ou deleita a concupiscência”. Ora, partindo desta definição fornecida pela Priberam, conclui-se que é urgente cancelar as licenças de rádio deste país sob pena de tão cedo não voltarmos ao crescimento económico.

A minha preocupação é redobrada quando estes fenómenos monopolizam cada vez mais as ondas da rádio. Imaginem como se sentirá o ministro Vitor Gaspar, quando de manhã ao volante do seu carro se dirige para o Ministério das Finanças e tem de ouvir a Beyoncé, por exemplo. Não acham natural que ao chegar ao seu local de trabalho decida logo a retenção dos subsídios de férias e de Natal? Muito ponderado é ele, eu provavelmente lançaria uma rede de campos de concentração nacionais para locutores radiofónicos!
Pelo menos no tempo da Britney Spears, os homens ainda ficavam com a concupiscência deleitada, agora nesta era das Susan Boyles? Não basta a desgraça das Carlas Rochas das rádios nacionais, ainda é preciso recorrer à austeridade externa?
Reparem como a Grécia está desde que para lá foram Fernando Santos ou Jesualdo Ferreira, e agora imaginem se a Lady Gaga voltar a actuar em Portugal. Não há país que resista a tanta austeridade.
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