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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Há muito que nesta vitrine o mil-folhas se tornou irresponsável

Sabe bem, de vez em quando e só para irritar as duas pessoas que lêem estas merdas que aqui escrevo, colocar no texto um título que não tem nada a ver com nada. As coisas que eu faço para irritar. Nada a ver com nada não é bem assim, visto que se trata na verdade de uma pequena variação do título de um álbum dos Mão Morta, mas vocês que são pessoas cultas e até ouvem Dino Meira devem estar a par dessas coisas. Hoje não acordei político. Não me apetece ofender o Cavaco nem o Passos Coelho nem qualquer outro monte de fezes da sua classe. Estou de bom humor, o que não significa que seja capaz de o escrever.

À medida que passam os anos, cada vez mais partilho da opinião que uma pessoa que consegue diariamente ver programas da TVI é como aquele tipo que vive ao pé de uma ETAR; da mesma forma que a primeira pessoa se habitua à má qualidade televisiva, a segunda habitua-se ao cheiro a cagalhões, chegando a um ponto em que um perfume já lhe parece tóxico. Ambos estes seres humanos, passado algum tempo, chegam àquele ponto em que as noções socialmente aceites de beleza deixam de fazer sentido e senhoras como Odete Santos podem mesmo chegar à categoria de “gaja boa”.

Aquele programa da TVI chamado “A Tua Cara Não Me é Estranha” trata-se de um caso sério. Tal como os vídeos de apanhados e desastres de viação ao vivo, é daquelas coisas das quais é impossível desviar o olhar. Se bem que me parece que o programa podia ir muito mais longe. Porquê cingir-mo-nos a um programa onde famosos imitam pessoas ainda mais famosas mas que cantam? Porque não levar isto aos limites e fazer um programa onde famosos imitam famosos a fazer coisas banais? Eu pessoalmente pagaria para ver um programa onde Catarina Furtado imita um Fernando Mendes a almoçar arroz de marisco e ir à casa de banho de seguida. Isso ou a Fátima Lopes a fazer de um Paco Bandeira que chega a casa e a quem apetece dar carinho à esposa com um taco de basebol. Ou José Carlos Pereira a fazer de Carlos Cruz a chorar num programa de televisão que nunca pediu a nenhum rapazinho que lhe lambesse o coiso. Ou Tony Carreira a imitar Carlos Paião, falecendo.

Se bem que para mim, o ponto alto seria Quim Barreiros fazendo uma imitação de Sónia Brazão. Como forma de retaliação pela imitação que Sónia aka Tocha Humana fez do indivíduo, esta tratar-se-ia basicamente de Joaquim Barreiros a chegar normalmente ao palco na sua indumentária característuca mas transportando consigo, ao invés de um acórdeão, um fogão a gás. “Quero cheirar o teu butano, Maria” era algo que gostaria de ouvir, nem que fosse apenas uma vez.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Vê de Vingança

Bem, três textos seguidos com nomes de filmes é coisa boa. Permitam-me primeiro dizer que, muito sinceramente, há coisas que não se fazem. “A César o que é de César” e “cada macaco no seu galho” são máximas boas e às quais as pessoas deviam prestar mais atenção. Digo isto porque me chocou a forma como, esta semana, a SIC toma a liberdade de mergulhar em assuntos que não são da sua competência. Chamar o agora ex-líder da CGTP Carvalho da Silva de “Caralho da Silva” é tirar o pão da boca a artistas como Joaquim Barreiros e negar a milhares de trabalhadores da construção civil a oportunidade de fazer um trocadilho sexual devidamente sindicalizado.

A arte do trocar nomes por órgãos sexuais é assunto que, tal como certos piropos, pertence ao domínio do andaime e no qual um canal de televisão nunca devia meter o bedelho. Além de que isto vem lançar uma outra pertinente questão: como pode uma simples letra alterar tão drasticamente o sentido duma palavra? Como um carvalho se torna caralho, uma árvore se torna pila, é coisa de uma fragilidade poética, que mostra como um simples“v”,confrontado com a erosão de um gajo que nem sabe pressionar a merda de uma letra num teclado, vê-se fodido.

Infelizmente não auguro grande futuro para os trocadilhos brejeiros com nomes de sindicalistas. O Caralhismo Sindical teve esta semana a sua cerimónia fúnebre, quando Carvalho da Silva foi substituído na liderança da CGTP por Arménio Carlos, pessoa alegadamente comunista. Como se sabe, o comunismo é uma coisa séria e não vamos lá fazer trocadilhos com o nome do homem que já é mau que chegue. Nem com o nome dele, nem com o nome de outros comunistas. Qualquer tentativa de trocadilho com Che Guevara (o gajo das t-shirts), que contenha as palavras “chega-lhe” e “vara” será prontamente ignorada e remetida para um canto do meu cérebro onde vive um pequeno Fernando Rocha a comer pistachios.